Liderar, etimologicamente, significa conduzir. Ou seja, é
guiar pessoas na direção de objetivos e metas; é a capacidade de
estabelecer confiança suficiente para que os liderados sigam o líder e
façam o que precisa ser feito. Liderar é saber lidar com as mudanças,
influenciando pessoas na direção de resultados positivos. A palavra
liderar sempre necessita de um complemento, ou seja, liderar é um verbo
transitivo direto, então, quando falamos em liderar, necessitamos de
respostas às perguntas: Liderar quem? Liderar quando? Liderar como?
Para responder a essas perguntas, as quais são comuns no dia a dia de
um gestor de pessoas, muitas teorias foram divulgadas, algumas muito
importantes e com forte embasamento, enquanto outras não passam de
simples idéias com pouca aplicação prática.
Muitos gestores que ocupam altos cargos se questionam constantemente
sobre o estilo mais apropriado de liderança para conduzir suas equipes
na direção de resultados positivos. Sabemos que, basicamente, são três
os estilos mais difundidos entre as diversas abordagens de liderança:
autoritário, liberal e democrático.
O estilo autoritário, quando predomina na gestão de pessoas, só
atrapalha o bom clima de trabalho. As pessoas comandadas por um chefe
autoritário (cabe ressaltar que ser chefe não é a mesma coisa que ser
líder) trabalham sob rigorosa supervisão, pois nesse estilo existem
muitas cobranças e na maioria das vezes elas não possuem critérios
lógicos; as relações entre as pessoas no ambiente de trabalho não são
amistosas. Se o chefe está na empresa, a produção é alta, porém, basta
o líder se ausentar que as pessoas se sentem aliviadas e a produção
cai.
O estilo liberal, predominante, é um tipo de “liderança frouxa”,
ou seja, as pessoas não respeitam aquele que está na posição de
liderança, se o gestor liberal está no ambiente de trabalho, ou não, a
produção é a mesma. Nesse estilo, a qualidade e a produtividade oscilam
muito porque é permitido que cada colaborador faça o seu trabalho com
total liberdade.
Já o estilo democrático, quando é predominante, poderá gerar certa
dependência do gestor, pois ele acaba procurando a participação e
opinião das pessoas acima dos limites. O estilo democrático apresenta
relações mais positivas no trabalho, as pessoas se mostram mais
comprometidas, mas é importante tomar muito cuidado com o uso excessivo
de liderança democrática, pois democracia no ambiente de trabalho só
funciona quando você conhece os colaboradores, ou seja, sabe o nível de
maturidade de cada membro da equipe para poder utilizar esse estilo com
as pessoas certas. O estilo democrático vai funcionar no ambiente
profissional quanto utilizado individualmente.
Analise o exemplo: você convoca a sua equipe para uma decisão
sobre um projeto e das 20 pessoas que estão na reunião 12 votam a favor
e oito contra, o que vai acontecer? Prevalece a decisão da
maioria, não é mesmo? Pelo menos é assim que acontece na maioria das
empresas. Isso pode ser prejudicial para uma empresa, pois é levada em
conta a opinião de alguns, mas os demais que votaram contra vão aceitar
a decisão? Eles vão se sentir motivados a colocar em prática o projeto
aprovado pela maioria? E as ideias colocadas em pauta pela minoria?
Atuando há muitos anos em consultoria e treinamento em empresas,
percebemos que democracia funcionará muito bem com algumas pessoas, ou
seja, quando usada individualmente, ou com pequenos grupos, mas
democracia com todos os colaboradores da equipe pode ser
prejudicial.
E qual é o estilo mais apropriado? Como liderar de forma eficaz?
Em 1972, Hersey & Blanchard divulgaram a Teoria da Liderança
Situacional, sendo que esta é uma das abordagens sobre liderança mais
respeitada. Segundo os autores, a liderança pode ser determinada de
acordo com as demandas situacionais, ou seja, as circunstâncias, o
contexto, as pessoas e suas características individuais, e os objetivos
em questão.
Aprofundando o estudo sobre liderança situacional, senti a
necessidade de criar um modelo de orientação de liderança, visando a
uma análise diagnóstica mais precisa por parte do líder,
possibilitando, com isso, a escolha do estilo de liderança apropriado
no processo de gestão de pessoas. Através desse modelo, qualquer pessoa
que ocupa um cargo de liderança poderá aplicar o estilo mais
apropriado, sejam eles: diretivo (sugiro este ao invés do autoritário),
liberal ou democrático.
O modelo de liderança que segue abaixo já foi aplicado em vários
treinamentos e consultorias, sempre com resultados surpreendentes. O
modelo de orientação de liderança chama-se S.O.MA.R. da Liderança. Esse
método tem como base vários estudos e teorias, mas, principalmente,
está fundamentado nas Teorias de Liderança Situacional de Hersey &
Blanchard, e Teoria Contigencial de Fiedler (1967). Essas teorias e
modelos, em resumo, defendem a ideia de que a liderança eficaz é
baseada no ajuste entre o estilo de um líder e a situação para que seja
exercida a influência do líder.
O modelo S.O.MA.R. consiste, basicamente, em facilitar a análise
do líder, ou seja, que ele possa fazer a leitura correta da situação e
das pessoas envolvidas para ter eficácia em suas intervenções como
gestor de pessoas.
O “S”, do modelo S.O.MA.R., significa “situação atual”. Toda vez
que um líder precisar aplicar sua liderança, será de fundamental
importância saber qual é a situação atual, ou seja, o que realmente
está acontecendo no contexto atual e quais problemas estão fazendo
parte da situação presente. Reunindo informações relevantes da situação
atual fica mais fácil escolher o estilo mais apropriado, caso
contrário, o líder poderá dar um “tiro no escuro” por não fazer a
leitura básica.
A letra “O”, do modelo S.O.MA.R., significa “objetivo em questão”.
Depois de analisar a situação atual, o gestor deverá comparar com a
situação desejada, pois somente assim ele perceberá a diferença entre o
que está acontecendo e a meta (resultado almejado).
O “MA” significa “maturidade do (s) liderado (s)”. Antes de
aplicar o estilo mais apropriado é necessário compreender a maturidade
do liderado, ou do grupo envolvido na situação, caso contrário, o líder
poderá escolher um estilo que ocasionará resultados negativos na
equipe. Se não observar com cuidado a maturidade do liderado, o gestor
poderá escolher um estilo de comunicação que poderá ir contra o
objetivo em questão. De acordo com Hersey e Blanchard, a liderança
situacional envolve a análise da maturidade dos colaboradores
envolvidos para que o gestor decida a melhor forma de adaptação.
Maturidade deve ser entendida como: padrões de comportamentos,
atitudes, habilidades, conhecimentos, histórico do colaborador e
experiência na atividade que exerce. Com essas informações, o líder
saberá como proceder com cada pessoa, pois, identificar corretamente o
grau de maturidade de cada um é tarefa básica de um líder de
equipe.
A letra “R” significa os “recursos” disponíveis, ou que serão
necessários. Toda situação que exigir liderança poderá envolver
recursos de tempo, físicos/materiais, financeiros e outros. Por esse
motivo o líder deverá avaliar os recursos envolvidos para saber o grau
de decisão a tomar e qual é o nível de urgência a seguir.
Um verdadeiro líder deve somar forças e competências, procurando
alinhar sua equipe na direção dos objetivos, e, sem dúvida, somar
resultados positivos. É por isso que o modelo S.O.MA.R. se torna uma
ferramenta indispensável no processo de liderança de equipes. Toda vez
que um líder precisar agir, ele terá que ser flexível para se adaptar a
situação e contextos, visando a obter o melhor resultado e desempenho
de sua equipe. Mas, para isso, terá que avaliar com muito discernimento
qual é a situação atual, qual o objetivo em questão, e a maturidade do
grupo para conduzir melhor os seus liderados, não se esquecendo de
avaliar os recursos envolvidos.
Depois de fazer a análise situacional através do SOMAR, o líder
poderá escolher ser diretivo, liberal, ou democrático, pois a leitura
correta foi feita, bastando apenas ter atitude para aplicar o estilo
mais adequado em cada situação. Sem as informações obtidas através do
modelo S.O.MA.R. ficará muito difícil decidir qual o estilo usar. Peter
Drucker, o grande guru da administração, disse que "gerenciar é fazer
direito as coisas; liderar é fazer as coisas certas", então, para
exercer seu papel como líder, faça o que é certo, desenvolva sua
liderança aplicando o modelo S.O.MA.R., pois em pouco tempo você
desenvolverá uma liderança muito rica, fazendo a leitura certa para
aplicar o estilo certo. Então, mãos a obra.
Por Cersi Machado
Fonte: HSM Online