Um mergulho na piscina rasa do Marketing
A maioria dos profissionais de marketing acredita que alguns
meses despendidos em alguma sala de MBA, aliados a uma boa dose de
subjetividade, possam resolver todas as questões mercadológicas.
Falta-lhes muito!
Estamos nos habituando com a mediocridade do subjetivo imperante nas
reuniões de planejamento. Todos, sem exceção, têm opiniões formadas
sobre tudo o que diz respeito a comunicação e marketing. Até
profissionais de outras áreas se veem no direito de opinar, mesmo
quando sua contribuição não é solicitada, as observações saltam da
boca. É irresistível a sensação provocada pela brilhante opinião
fornecida para o deleite de todos os envolvidos na reunião. Pode ser
sobre qualquer faceta do marketing, desde a mídia, a estratégia, o
investimento, até o prazer de criticar a peça, o famoso anúncio. Não há
como se conter. Ele ou ela sabe que não entende nada de comunicação,
mas é tudo tão subjetivo, tão fácil!
Todos que chegaram até aqui sabem do que estamos falando. Já viveram
essa situação em algum momento de sua carreira, pelo menos em um lado
do enredo. Ou por engolir as opiniões ou pela satisfação de
exalar uma aparente sabedoria mercadológica.
Ficamos divagando com a seguinte questão: por que essas opiniões não
existem nas reuniões com a contabilidade? Ou nas reuniões em que se
discute como o capital da empresa deve ser aplicado? Aqui, não se
atrevem. O medo de exalar uma enormidade de bobagens é tão grande que
fica mais confortável conter a vontade de se expressar. Ou você é um
profissional da área de finanças, economia, contabilidade ou fica
calado. Quando muito concorda.
Algum economista fica opinando sobre como o médico deve fazer a
cirurgia? Quais instrumentos cirúrgicos ele deve utilizar? Mas, com
toda a convicção permitida, o indivíduo terá opinião de sobra para dar
a um diretor de agência de comunicação sobre o filme publicitário
apresentado. Vai se sentir totalmente confortável até mesmo para
dirigir o filme com assertividades impressionantes. Depois, com orgulho
transbordando, comenta na mais alta leviandade como são fracos esses
publicitários e, como ele, com o ego em explosão, consegue resolver a
platitude reinante no mundo da propaganda.
Como um engenheiro pode se sentir confortável em emitir sabedoria onde
nunca se aprofundou mais que alguns centímetros na piscina do
marketing? Eles acreditam que a piscina é rasa. Tão simples e eficiente
essa imagem. Ele, sem a menor cerimônia, estabelece a profundidade da
nossa piscina. Mas a dele é muito profunda. Se você duvidar por um
instante, as fórmulas matemáticas se lançam à sua frente.
Está aí a o Elo Perdido! É aí que devemos construir nossa piscina e
determinar a sua profundidade. Mas os profissionais de marketing não
estão preparados. Muitos não sabem sequer o que é uma mediana, o que
dirá sobre a definição da variância. Sem estatística não existe
marketing. Mas uma grande fatia desses profissionais não sabem o básico
de matemática, tornando-se assim, também, opinadores contumazes,
nadando de braçada numa fina lâmina d’água.
Fonte:
Mundo Marketing
http://www.mundodomarketing.com.br/13973,71,artigos,um-mergulho-na-piscina-rasa-do-marketing.htm
